Sufismo | Misticismo Islâmico

dervixe sufi rodopiante

Sufismo” (taṣawwuf, em árabe) é uma expressão que costuma indicar a dimensão interior do Islão, seja ela entendida no sentido de misticismo islâmico, seja de esoterismo. Fundamentado na revelação alcorânica e no ensinamento transmitido pelo Profeta do Islão – Muḥammad -, o Sufismo conota-se como caminho espiritual inspirado nos valores de Sabedoria, Misericórdia, Virtude e Amor, que procura o aperfeiçoamento do caráter e do conhecimento humanos. Sufi é a palavra que costuma indicar o praticante desta via.

Sufismo: sabedoria e ascese

tumulo hafiz shiraz

O que procuram os sufis é a “gnose” (‘irfān ou ma‘rifah) bem como aquela que poderíamos chamar a união mística, através de um processo de transformação da “alma/ego” (nafs) e de purificação do “coração” (qalb) que conduz o ser humano ao al-fanā’ fī Allāh, “a extinção em Deus”, à qual se segue o al-baqā’ fī Allāh, “a permanência em Deus”. Trata-se da referida união, que é a própria atuação, através das possibilidades humanas, da doutrina islâmica da “Unidade e Unicidade de Deus” (tawḥīd) em que se fundamenta o Islão, conforme a primeira afirmação contida no “testemunho de fé” (šahādah), que por sua vez constitui o principal pilar do prórpio Islão: lā ilāha illā Allāh, Muḥammad rasūl Allāh (“não há divindade salvo Deus, Muḥammad é o profeta de Deus”).

O caminho espiritual

meca caaba

O percurso de um praticante da via sufi é normalmente orientado por um mestre espiritual, herdeiro de uma sucessão ou “cadeia” (silsilah) de sábios que tem no Profeta o seu primeiro e mais importante representante. Através do seu mestre, o discípulo recebe os “influxos espirituais” (barakah) bem como os ensinamentos e ainda o exemplo ético e devocional que o ajudam a evoluir na sua busca espiritual. O caminhante da via sufi costuma praticar uma série de exercícios espirituais e devocionais, tais como o dikr Allāh (“recordação, menção de Deus”), ou seja, a repetição de frases sagradas e Nomes de Deus, que pode ser acompanhada (ou não) por danças e músicas. É este o caso do samā‘ (“audição”), a cerimónia dos dervixes rodopiantes conduzida pelo sufi persa Jalāl al-Dīn Rūmī (1207-1273), ilustre poeta místico, um dos mais conhecidos e citados, não apenas no âmbito do Sufismo.

O misticismo islâmico no Ġarb al-Andalus

igreja matriz mertola

Entre 713 e 1249, as terras lusas integravam o território do al-Andalus, a Península Ibérica governada por dinastias muçulmanas (711-1492), tanto árabes, como berberes. Durante longos períodos, deram-se no al-Andalus fenómenos históricos e culturais relevantes, como a pacífica convivência entre judeus, cristãos e muçulmanos, e um significativo florecimento cultural, literário, científico e filosófico, especialmente nos tempos do Califado Omíada de Córdova (929-1031). As terras lusas eram chamadas al-Ġarb al-Andalus (“o ocidente do al-Andalus”), nelas tendo vivido ascetas como al-Masmudī (m. 970), pensadores como Ibn al-Sīd (1052-1127) e místicos (ou enquanto tais considerados pela historiografia) como Ibn Qasī (m. 1152), al-Mirtulī (1125-1207), al-Urianī (séc. XII), os últimos três tendo sido referidos pelo grande sufi andaluz Ibn ‘Arabī (1165-1240), nascido em Múrcia. Entre os estudiosos portugueses que mais se dedicaram a estas figuras, há Garcia Domingues, António Borges Coelho e Adalberto Alves.

Cursos e Palestras sobre Misticismo e Esoterismo Islâmico

Desde o ano letivo de 2013-2014, Fabrizio Boscaglia tem lecionado cursos sobre Sufismo, Misticismo e Esoterismo Islâmico em Portugal, em universidades, associações e outras organizações. Além disso, o investigador costuma proferir comunicações sobre estes temas, em conferências, colóquios e eventos. É possível organizar e/ou frequentar este tipo de curso ou palestra, em Lisboa bem como em outras cidades.