Saiu no livro Tabula Rasa – II Festival Literário de Fátima, que recolhe contributos sobre o tema do festival decorrido em 2017: A Literatura e o Sagrado. O artigo «O Sagrado na Tradição Islâmica» é por mim assinado e reflete uma leitura minha sobre um dos Nomes de Deus no Islão: al-Quddūs (‘O Sagrado’).
O volume é coordenado por Renato Epifânio: https://www.zefiro.pt/product/tabula-rasa-a-literatura-e-o-sagrado
Eis algumas passagens do artigo:
Um dos noventa e nove ‘Belíssimos Nomes de Deus’ mencionados no Alcorão é al-Quddūs, que em árabe significa ‘o Sagrado’, ‘o Augusto’, ‘o Puro’, ‘o Perfeito’ e ainda ‘o Sem limites’. A título puramente exemplificativo, veja-se uma das traduções (ou interpretações) do livro sagrado do Islão para o idioma português, realizada por Samir el-Hayek, segundo o qual al-Quddūs significa «o Augusto», como consta destes dois versículos:
Ele é Deus; não há mais divindade além d’Ele, Soberano, Augusto [al-Quddūs], Pacífico, Salvador, Zeloso, Poderoso, Compulsor, Supremo! Glorificado seja Deus, de tudo quanto (Lhe) associam!
(59, 23)
Tudo quanto existe nos céus e na terra glorifica Deus, o Soberano, o Augusto [al-Quddūs], o Poderoso, o Prudentíssimo.
(62, 1)
O nome al-Quddūs tem, como em geral todo o vocabulário árabe, uma raiz etimológico-linguística triconsonantal, que neste caso específico corresponde às três consonantes q-d-s. As palavras que remetem para tal raiz estão semanticamente relacionadas entre si e têm globalmente a ver com os sentidos de santidade, sagrado e pureza. Com efeito, da mesma raiz vem al-Quds, ‘a Sagrada’, nome islâmico de Jerusalém, a terceira cidade sagrada do mundo para os muçulmanos, após Meca e Medina.
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