Novo ensaio: Atavismos árabes em Teixeira de Pascoaes

Foi publicado o segundo volume da série dedicada a Teixeira de Pascoaes, pela Colibri editora, intitulado Teixeira de Pascoaes: A Arte de Ser Português e a Renascença Portuguesa. O livro hospeda um ensaio de Fabrizio Boscaglia, intitulado «Atavismos árabes em Teixeira de Pascoaes», que aborda a receção, presença e representação do Islão na obra e no pensamento do autor amarantino.

«Esta melancolia árabe e o Panteísmo do norte, definiram, num meio concordante, a alma dos lusíadas, que se contém no seu primordial e original sentimento da Saudade.»

Teixeira de Pascoaes (Os Poetas Lusíadas, 1919)

O volume integra as atividades do Triénio Pascoalino, organizado por Sofia A. Carvalho e outros investigadores, e será lançado em Amarante, no Congresso Teixeira de Pascoaes, a 31 de março.

«Entre os acima referidos elementos carterísticos da componente “árabe” [da Saudade, segundo Pascoaes], são pelo menos três os que nos sugerem interessantes pistas comparativas com o pensamento islâmico e a cultura árabe: o monoteísmo, por ser a ‘doutrina da Unidade e Unicidade de Deus’ (tawḥīd) o cerne da espiritualidade e da cultura islâmicas; a lembrança, por ser a ‘recordação, relembrança [de Deus]’ (dikr) o nome de uma das práticas místicas do Islão, que se consubstancia, por exemplo, na repetição vocal de Nomes de Deus e frases sagradas, e que está diretamente ligada àqueles poemas sufis que cantam o desejo, amoroso e dolorido, do regresso à Origem (por exemplo, na obra de Rūmī); a melancolia, da qual vamos falar no próximo parágrafo (abordá-la-emos por razões que são principalmente, mas não apenas, linguísticas).»

Fabrizio Boscaglia (Atavismos árabes em Teixeira de Pascoaes, 2017)

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